Google: à medida que o mercado evolui na direção de dispositivos inteligentes, discussão sobre buscas se torna obsoleta

Na semana passada, o Google respondeu a reguladores europeus antitruste que investigam uma longa lista de denúncias contra o maior mecanismo de busca do mundo. As queixas, válidas ou não, parecem coisa do passado, já que o Google está cada vez mais concentrada no mundo dos aparelhos inteligentes.

O Google ainda é responsável por 80% de todas as buscas na web na Europa. A empresa é criticada por favorecer seus produtos especializados Google – viagens, finanças, hotéis, restaurantes e mapas -, deixando os concorrentes em desvantagem. Nos Estados Unidos, o Google é investigado por este motivo há cerca de um ano.

Conforme aumenta a pressão sobre o Google, não está claro se os reguladores estão fazendo as perguntas corretas. As autoridades da Comissão Europeia estão concentradas nas conhecidas páginas de links do Google, e no destaque dado aos produtos da empresa. No entanto, o Google está seguindo em uma direção diferente – e ainda não ficou claro se os reguladores estão atentos à nova realidade.

Novo buscador. Em 2009, a vice-presidente do Google para produtos de busca e experiência do usuário, Marissa Mayer, descreveu o mecanismo de busca perfeito: “Seria algo capaz de entender fala, perguntas, frases, as entidades a respeito sobre as quais estamos falando. Seria capaz de vasculhar toda a informação do mundo”.

Dois anos mais tarde, a Apple lançou seu software de reconhecimento de voz, Siri, para o iPhone. A novidade pareceu se encaixar perfeitamente na descrição da executiva, exceto por um detalhe: a Siri se engana em um terço das respostas.

No mês passado, o Google indicou que serviços de informações altamente personalizados serão lançados para os celulares Android. Os usuários não terão de fazer perguntas específicas, pois seu dispositivo já saberá onde eles estão – usando informações da agenda de cada pessoa. O Google Now vai exibir informações de transporte, clima, resultados esportivos e localização de restaurantes, entre outras.

Assim como o termo “carruagem sem cavalos” foi superado por “automóvel”, “mecanismo de busca” logo se tornará uma expressão primitiva. Em vez disso, teremos agentes virtuais que viajam conosco, mais fáceis de usar e adaptados aos nossos desejos e necessidades.

Como os celulares equipados com o sistema Android já correspondem a mais de 50% do mercado americano, tudo que o Google precisa fazer é ater-se aos seus clientes para alcançar o volume de mercado desejado.

Se sua instalação piloto de fibra ótica em Kansas City funcionar, o Google poderá também evitar a dependência em relação às operadoras de celular: pontos de acesso Wi-Fi não licenciados ligados à rede de fibra ótica vão oferecer aos usuários a conectividade móvel, e o Google não terá que pedir permissão à AT&T e Verizon para lançar aparelhos e serviços.

O Google não está sozinho nessa tarefa. A Apple e o Facebook trabalham cada vez mais juntos, sendo que o Facebook é o aplicativo padrão de agenda e contatos do mais recente sistema operacional da Apple. E o Facebook estaria planejando o lançamento de seu próprio celular.

Em resposta às autoridades americanas e europeias, o Google deve concordar em destacar a relação comercial entre os resultados de suas buscas e os links apresentados. Essa pode ser a solução para um problema já antigo. Conforme a “busca” se torna um anacronismo, teremos problemas mais difíceis para enfrentar.

Estadão, 11 de julho de 2012 | Susan Crawford, Bloomberg News / Tradução: Augusto Calil

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