Mattos Filho muda imagem corporativa e adota práticas de gestão inspiradas em modelos internacionais

Jovens advogados que disputam de forma acirrada uma vaga de sócio, num ambiente altamente competitivo e dominado por cifras impressionantes. Esse clima, retratado nos livros de John Grisham (de A Firma e O Dossiê Pelicano) e em séries de TV como The Practice e The Good Wife, aos poucos vira realidade nos escritórios brasileiros de advocacia.

Um dos líderes em aconselhamento de fusões e aquisições de empresas no País, o escritório Mattos Filho – que tem 300 advogados e faturou R$ 250 milhões em 2011 – está promovendo uma revisão em sua imagem para passar uma mensagem mais alinhada com sua atuação nos últimos anos.

A repaginação se baseou na estrutura de administração e recursos humanos de grandes escritórios americanos e também em consultorias internacionais como a McKinsey. “Queremos ser referência para estudantes de direito. Se a pessoa tem a intenção de advogar, nosso objetivo é ser a primeira escolha”, explica Roberto Quiroga Mosquera, sócio do Mattos Filho.

Para atrair os jovens, o escritório assumiu o “apelido” Mattos Filho em detrimento da (longa) nomenclatura oficial: Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga. No novo desenho do nome, o discreto azul foi substituído pelo laranja. As mudanças tiveram origem em um diagnóstico feito há quatro anos.

Em 2009, a empresa contratou o Hildebrandt Institute (divisão da Thomson Reuters para o mercado legal ) para avaliar seu método de gestão e decidiu importar, com algumas adaptações, o modelo americano. “É o que aconteceu, em geral, nos grandes escritórios do País”, diz Mosquera. “Ficou claro que precisávamos ter uma política sólida de RH, já que nosso negócio se baseia em talentos.”

Por trás da nova identidade está a ideia de mostrar ao mercado o dever feito dentro de casa. A Future Brand, consultoria contratada para o trabalho, entrevistou 500 funcionários e clientes para chegar a uma solução. E a principal recomendação em termos de imagem foi pensar adiante e investir numa estratégia mais moderna.

Responsável por processos de transição de imagem em empresas como O Boticário e Cielo, a consultoria diz que o novo branding dá um “recado” claro: além de flertar com conceitos como “solidez” e “excelência”, os especialistas decidiram investir na modernidade e na criatividade. Isso influenciou até a escolha do laranja – cor associada ao banco Itaú e, consequentemente, ao conceito de tecnologia.

Aderir a tantas novidades, num mercado tão conservador, não é tarefa fácil. Para incentivar as mudanças, há dez anos o escritório contratou o psicólogo Carlos Eduardo Lacaz como consultor. Na hora da dúvida, ele faz o papel de advogado da ousadia.

FERNANDO SCHELLER – O Estado de S.Paulo – 01 de outubro de 2012

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