Ele não ameaça o Google. Ainda…

Com um sistema de pesquisa que prioriza as respostas aos resultados cheios de links, o DuckDuckGo tem se posicionado como uma nova alternativa ao domínio do Google

Michael Rosenwald, do Washington Post

A 50 quilômetros da cidade de Filadélfia, Estado da Pensilvânia, há um curioso edifício de escritórios que parece um castelo de pedra. No térreo há um consultório de um oftalmologista. No primeiro andar, a sede de um buscador que quer concorrer com o Google.


FOTO: Sean Simmers/Washington Post – 13/06/12

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O proprietário é Gabriel Weinberg, de 33 anos. Alguns anos atrás, quando ele falou à esposa da ideia de abrir uma empresa – que bateria de frente com o Google e o Bing – ela pensou que ele estivesse enlouquecendo.

Não estava. Com dinheiro no bolso, depois da venda de outra startup por US$ 10 milhões, Weinberg apostava que havia lugar para um produto novo que se aproveitasse dos aborrecimentos que o Google vem causando aos seus usuários – resultados de buscas disputados por anunciantes, páginas lotadas de propaganda e o rastreamento de todas as buscas que o Google faz.

Ele batizou seu pequeno projeto de DuckDuckGo, inspirado numa brincadeira de crianças (Duck, Duck, Goose, em inglês) parecida com Corre Cotia.

“O que é bom para o Google como empresa não é bom para os usuários do Google”, ele disse. O DuckDuckGo não rastreia usuários. Não gera resultados baseados nos interesses das pessoas, filtrando e retirando informações relevantes. Não está lotado de anúncios. Assim, o uso do DuckDuckGo cresce continuamente. Em outubro ele recebeu 45 milhões de pesquisas. Um ano antes, eram 10 milhões.

O crescimento chamou a atenção – e o dinheiro – da Union Square Ventures, a empresa de investimentos de risco por trás do Twitter, que decidiu apoiar Weinberg. Não faz muito tempo, uma manchete do principal site que cobre o setor de buscas, o SearchEngineLand, perguntava: “Será que o DuckDuckGo poderá se tornar a maior ameaça ao Google a longo prazo?”.

No início deste ano, em resposta às críticas que o acusavam de práticas de monopólio, o Google identificou publicamente o DuckDuckGo como concorrente – o que agradou e divertiu Weinberg, mas também mostrou certo exagero por sugerir que ele seja uma ameaça de fato.

O Google processa bilhões de buscas diariamente, enquanto o DuckDuckGo processa milhões.

“A realidade nos Estados Unidos é que temos apenas dois buscadores: Google e Bing”, disse Danny Sullivan, editor do SearchEngineLand. “Acho improvável que o DuckDuckGo passe o Google para trás.”

Mas e se não for este o objetivo de Weinberg? Ele fundou sua primeira empresa no Massachussets Institute of Technology (MIT), onde estudou física: um portal para os professores colocarem online os programas de aulas. Não deu certo. Depois da graduação, criou outra companhia, a NamesDatabase, um banco de dados no qual os usuários forneciam seus endereços e outras pessoas pagavam para entrar em contato com eles. Em 2006, ele a vendeu para o site Classmates por US$ 10 milhões.

Com pouco mais de 20 anos, estava milionário. Como havia casado recentemente, o dinheiro permitiu ao casal algumas realizações. Uma delas foi morar fora da cidade grande. Fixaram-se então perto de Paoli, subúrbio de Filadélfia. Tiveram dois filhos. Perto da mesa de trabalho dele, coberta de monitores, há um espaço com brinquedos.

Fora do meio. Weinberg foi ao Vale do Silício uma única vez nos últimos 12 anos. Nunca aparece nas feiras de tecnologia. “O problema é que este estilo de vida não é muito voltado para a família”, disse. “Nunca foi meu objetivo ser um Mark Zuckerberg.”

Ele começou o DuckDuckGo enquanto sua esposa trabalhava e ele administrava a casa, também sede da companhia até o ano passado. Com o dinheiro da Union Square, montou o escritório no prédio que parece um castelo, onde trabalha com vários programadores. Um deles traz sempre seu cachorro Hex.

O escritório da DuckDuckGo é diferente das exageradas sedes de outras startups. Não há garrafas de água das Ilhas Fiji. Weinberg serve água comprada no supermercado. “Sempre procuramos o que é barato”, disse. “Aqui nós somos muito práticos.”

Praticidade. Era isso que Weinberg queria quando fundou sua empresa. Ele queria criar um buscador que as pessoas pudessem usar de maneira simples e rápida. Queria se concentrar nos primeiros dois ou três resultados que os usuários viam, mas não dispunha de muita mão de obra para construir um sistema do zero. Para o grosso das consultas, ele decidiu usar resultados de busca do Yahoo disponíveis publicamente (hoje o Yahoo usa o sistema do Bing). E preferiu usar seus talentos de programador para os principais links. Ele queria que estes links dessem respostas.

Se você procurar no Google “calorias de uma banana”, encontrará uma página de links sobre bananas. Indo para o DuckDuckGo, encontrará apenas uma resposta: 105. A resposta é do WolframAlpha, um banco de dados que Weinberg conectou ao DuckDuckGo. Fontes como Wikipédia e Yelp (site de recomendações de serviços) também são usadas.

Privacidade. O sistema de respostas simples de Weinberg era intencional, mas foco na privacidade não era. Simplesmente não lhe ocorreu que fosse precisar rastrear os usuários. Seu modelo de negócio é mostrar apenas um ou dois anúncios, baseados apenas no termo da pesquisa. Esses anúncios garantiriam uma receita suficiente, na sua opinião, para montar uma empresa pequena que, um dia, teria 1% do mercado de buscas – cerca de cinco vezes o que ele tem agora.

No mesmo momento, surgiu a discussão sobre a privacidade online, o que aumentou a preocupação das pessoas. Uma recente pesquisa da Pew Research mostra que 65% dos usuários de internet consideram “péssimo” ser rastreados, e 73% acham que é uma invasão de privacidade.

Weinberg resolveu fazer um pouco de marketing de seu produto. Pagou US$ 7 mil para colocar um cartaz em São Francisco com seu logotipo do pato sorridente que diz: “O Google rastreia você. Nós não”. Na página sobre a empresa, dentro do site do DuckDuckGo, há um link que diz: “Nós não rastreamos você”.

As metas nada ambiciosas de Weinberg o tornam um concorrente online singular e perigoso. Ele pode fazer quase tudo que o Google ou o Bing não podem porque poderia prejudicar seus negócios. E, se os usuários concluírem que o DuckDuckGo é melhor, Weinberg poderá prejudicar as líderes do setor mesmo que não seja sua intenção.

Seus investidores acreditam que o Google seja vulnerável. Mas Sullivan, do SearchEngineLand, tem dúvidas. Ele concorda que o Google pode ter problemas, especialmente com a regulação dos governos, mas até este momento seu mercado não foi afetado. “Na realidade a maioria dos usuários do Google está totalmente satisfeita com as pesquisas. Eles não têm motivo algum para mudar”, disse.

Weinberg trabalha sem parar na busca de formas de melhorar os resultados inteligentes. Enquanto isso, passa um dia por semana com os filhos. Sua esposa trabalha meio período. E ele não frequenta festas. “Na realidade, eu gostaria de ir com mais calma ainda”, afirmou. /Tradução de Anna Capovilla – O Estado de São Paulo, 2 de dezembro de 2012

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