Empreendedor aposta em camisetas diferentes e fatura R$ 1 milhão no ano passado

Empresa paulistana aposta em parceria com artistas para divulgar marca e faturar R$ 1 milhão durante o ano passado

Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão
Empresário Leandro Domenico prega que o pequeno negócio deve ser autêntico

A ideia é simples – valorizar parcerias com artistas – e tem dado certo. A estratégia da empresa de camisetas El Cabriton é um exemplo da pequena empresa de moda alternativa de São Paulo que ganha destaque no mercado com peças autorais. O resultado aparece no caixa. A marca faturou R$ 1 milhão em 2012 e espera crescer 50% durante este ano.

A participação em feiras também foi primordial para o crescimento da El Cabriton. Aberto em 2006, o negócio oferecia seus produtos no famoso Mercado Mundo Mix, evento alternativo de moda que ajudou a impulsionar diversos empreendedores. “Era uma ótima porta de entrada para marcas pequenas. A resposta dos produtos era muito rápida”, lembra Leandro Domenico, proprietário da marca de camisetas.

Diante do resultado positivo, a El Cabriton passou a expor em mais duas feiras na capital. “Fomos montando nossa base de clientes. Foi lá que aprendemos como empreender, como lidar com caixa, marketing. Toda nossa base vem de participações em eventos”, afirma.

Hoje, a empresa está instalada na Rua Augusta e vende cerca de duas mil camisetas por mês, incluindo as transações online. Entre as estratégias de marketing implantadas, uma delas é mantida desde a inauguração: é o ‘projeto fachada’.

“Todos os meses convidamos um artista para pintar as paredes externas da loja. Virou quase identidade e chama a atenção. Chegamos a receber quase um e-mail por dia de artistas interessados em participar desse projeto”, conta Domenico, que tem sua esposa, Erica, como sócia na empresa.

Essa parceria com artistas também é explorada em outros produtos. Em outubro, por exemplo, será lançada a quarta edição do baralho da El Cabriton. “Convidamos 54 artistas para cada um desenhar uma carta do baralho”, explica Domenico. A dica do empresário para outros pequenos empreendedores é sempre buscar um caminho diferente. “Se você não arrisca, não avança ou anda muito devagar. Meu conselho é focar em autenticidade. A parte boa do pequeno é que ele não tem que agradar a todos. E não deve”, destaca.

Estampas. Autenticidade, aliás, é um dos segredos da estilista Kelly Cristina Teixeira, proprietária da Bendita Maria – a marca faz sucesso com peças inspiradas nas roupas que a avó da empreendedora usava. “Quis trazer esse estilo para a marca, mas com estampas divertidas. O corte é mais retrô, porém, moderno. Por isso, tenho mãe e filha como clientes”, conta Kelly. Cada modelo chega a ter dez estampas diferentes. “Tem meninas que colecionam as peças e frequentam a loja em busca de estampas novas”, completa Kelly.

Apesar de vender seus produtos em lojas físicas, a empresária não pensa em abandonar as feiras das quais participa – Qualquer Coisa, na Praça Benedito Calixto, e da Como assim?!, que ocorre no Shopping Center 3, aos domingos. “Tem muito turista nas feiras e quem não consegue ir nos fins de semana pode comprar na loja também”, diz a estilista. Ela conta com a ajuda dos pais no negócio e registra lucro mensal entre R$ 20 mil e R$ 30 mil. A meta de Kelly é lançar um comércio online ainda este ano para ajudar no crescimento da Bendita Maria.

Ações. De acordo com o professor de Gestão de Marcas e Marketing Estratégico da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Marcos Bedendo, esses negócios conseguem chamar atenção, primeiro, na região onde funcionam, especialmente quando se trata de São Paulo. “Dependendo do perfil da marca, o ponto pode ajudar as pessoas a identificarem o estilo da empresa. Ela pode estar na Oscar Freire, na Vila Madalena ou no Baixo Augusta, por exemplo”, explica.

Participar de feiras semanais também é uma forma de divulgar a marca, segundo o especialista. “É uma maneira de se fixar em um lugar com um grande fluxo de pessoas. Quanto mais gente observando, melhor para a marca e para gerar o boca a boca”, diz o professor.

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME 29 de maio de 2013

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