The Rolling Stones: como surgiram dois dos mais famosos símbolos gráficos da indústria do entretenimento

Com a nova turnê da banda, vêm à tona histórias sobre a criação de imagens icônicas do disco de 1971

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No momento em que o Rolling Stones se preparava recentemente para relançar Sticky Fingers, seu álbum clássico de 1971 com hits como Wild Horses e Brown Sugar, o processo de produção emperrou num obstáculo: a produção do zíper funcional da capa do álbum criada por Andy Warhol mostrando uma calça jeans azul estufada, que foi recriada para algumas novas edições de luxo, estava demorando mais que o esperado, segundo informou a Universal Music, que adiou o lançamento para terça-feira, 16.

Eles deviam ter pedido ajuda a Craig Braun. Como dono e diretor de criação da Sound Packaging Corp., Braun ficou conhecido nos anos 1960 e 70 como o inventor da hora de capas de álbuns elaboradas, destacando-se como o criador de projetos como a banana descascável na capa do The Velvet Underground & Nico de 1967, outro concepção fálica extravagante de Warhol.

Agora, com o Stones revisitando Sticky Fingers na turnê adequadamente intitulada Code, que a banda fará pela América do Norte até 15 de julho, Braun está ansioso para compartilhar a história por trás do que VH1 chamou de a melhor capa de álbum de todos os tempos. Sticky Fingers incluiu também a estreia do icônico logo com lábios e língua do Stones, outra peça da história do rock com uma origem confusa – de novo envolvendo Braun.

Depois de Let It Bleed em 1969, o Stones rompeu com seu selo original, Decca Records, e começou seu próprio Rolling Stones Records. Para o primeiro lançamento do selo, a banda planejou combinar canções provocativas como Can’t You Hear Me Knocking e Sister Morphine com uma declaração visual chamativa. “Eles eram os bad boys do rock and roll, expressando raiva, desejo e sexo”, disse Braun, hoje com 75 anos e trabalhando como ator.

“Eles sabiam que se pusessem um jeans e um zíper real as pessoas iam querer ver o que havia por trás”, disse Braun. A revelação também serviu a uma finalidade prática. “Eu sabia que o verso dos zíperes, que tiveram de ser colocados à mão, podia danificar o disco”, disse ele. Braun telefonou para a Factory de Warhol para artes complementares.

Elas vieram na forma de polaroides de Warhol de um modelo usando uma cueca apertada – fotos que Braun ainda possui, em seu envelope original, no seu apartamento de Manhattan (confundida muitas vezes com Jagger, a identidade do modelo que usa a cueca de Sticky Fingers e também estrela a capa permaneceu um mistério; os suspeitos incluem os rapazes Joe Dallesandro, Jay Johnson e Corey Tippin da Factory de Warhol).
Resolvidos o zíper e a cueca, Braun teve outros problemas. Mesmo com uma peça protetora de papelão separando cada álbum, a primeira leva de discos chegou aos revendedores com alguns danos. Por conta do peso dos álbuns empilhados durante o transporte, o puxador do zíper de um disco estava marcando o vinil acima dele bem nos sulcos de Sister Morphine, a 3.ª faixa do lado B.

Neste caso, Braun também arranjou uma solução. No meio de uma noite de pânico, “tive esta ideia de que, se a cola estivesse suficientemente seca, as velhinhas na ponta final da linha de montagem podiam puxar o zíper para baixo o suficiente para a parte redonda atingir o centro do selo do disco”, disse ele. Não foi a única improvisação envolvendo o Stones. Em Londres, John Pasche, um estudante do Royal College of Art, trabalhava num logo para a banda e seu novo selo.

Jagger havia se inspirado na língua da deusa hindu Kali, “mas eu não queria fazer nada de indiano por achar que ficaria muito datado rapidamente já que todo o mundo estava passando por aquela fase na época. Mas a boca e os lábios de Kali “acionaram alguma coisa”, disse ele (e não fez nenhum mal o fato de o próprio Jagger ter uma boca reconhecível).

Tanto Braun como Pasche estão satisfeitos com os resultados de suas contribuições superpostas à mitologia do rock. Tendo recebido inicialmente apenas 50 libras (US$ 76 em valores atuais) pelo desenho, Pasche vendeu seu copyright para a banda por 26 mil libras (cerca de US$ 40 mil na época) em 1984. Em 2008, o Victoria e Albert Museum em Londres comprou sua arte original por 50 mil libras.

Braun estima que ganhou seis dígitos criando a embalagem para Sticky Fingers. Durante alguns anos na década de 70, ele também licenciou e desenhou uma versão alternativa do logo do Stones para uma linha de suvenires chamada Licks, que incluía joias e alfinetes de gravata, pagando apenas um pequeno royalty à banda. Licks teve um sucesso moderado, mas provavelmente avançado para sua época. “Agora, o merchandising do Stones movimenta bilhões”, disse Braun. “Eu devia ter ficado no ramo.”

http://cultura.estadao.com.br/noticias/musica,rolling-stones-volta-com-seu-sticky-fingers,1705541

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